50 Maneiras de Ser e Durar no Parkour


Texto original disponível em: Power is Nothing Without ControlTradução por: Danilo Andrade, Duddu Rocha, Guilherme Salomão, Gustavo Ivo, Tacianni Andrade e Vinicius Lino


“Ser e Durar” é uma das frases mais emblemáticas que você já deve ter ouvido alguém tradicionalmente soltar nos treinos de Parkour. Mas o que ela realmente significa? Depende de para quem você pergunta, mas a maioria das pessoas vão concordar com os princípios básicos por trás dela. Do modo como eu a entendo, ela sugere que as pessoas devem treinar o corpo e a mente para que estejam capazes e prontas para qualquer coisa; e treinar de um modo que as permitam estar prontas e capazes para fazer essa qualquer coisa pelo maior tempo possível. Ela sugere que uma pessoa deve procurar ser forte, mas não só fisicamente. Deve-se procurar ser resiliente, livre pensador, confiante e ainda assim permanecer humilde. Deve-se aprender a ser auto-suficiente e útil para seus entes queridos e deve-se sempre procurar evoluir de algum modo.

Durar? Aquela velha lição sobre a chama mais brilhante queimando mais rápido ganha um significado verdadeiro e especial no Parkour. Para que serve uma pessoa que treina cinco anos e tem que parar devido a dores nos joelhos e um tornozelo quebrado? Quão útil é um corpo que não consegue se mover livre de dores devido a anos de desleixo e abuso? A jornada do Parkour nunca se destinou a ser um flash brilhante de show e espetáculo. Ela sempre foi uma busca eterna por aperfeiçoamento e não precisa terminar quando o corpo começar a mostrar os sinais da idade. Não, não enquanto a mente ainda for jovem. Não, se a alma ainda buscar aventuras, desafios e diversão. Um dia você talvez não seja mais capaz de fazer os mesmos pulos que você conseguia quando era jovem, mas você será forte e confiante o suficiente para auxiliar sua neta quando ela for tentar fazer o primeiro cat-leap e precisar da sua ajuda, certo? Você ainda terá um equilíbrio excelente, discernimento, conhecimento e será capaz de se erguer acima de um muro alto, se precisar. Você ainda estará ativo e móbil o bastante para ser auto-suficiente e útil para sua família, seus amigos e para você mesmo. É disso que o Parkour se trata. Os pulos são somente uma parte desse treinamento. Trata-se de saber o que você pode fazer com o que você tem e ter a coragem de fazer quando a situação exigir. E isso pode ser praticado até o dia em que nós morrermos. Sério, minha meta ainda é ser o único velhinho sentado na mesa que consegue abrir aquele pote de picles com a tampa apertada…

“Envelhecer não é para maricas!”




Minha jornada no Parkour começou em setembro de 2003. Antes disso, o número de novos praticantes por semana aderindo à disciplina provavelmente dava pra ser contado nos dedos de uma mão. E somente quando o Jump London foi ao ar no Channel 4, no Reino Unido, que o período de grande crescimento realmente começou. Jump Britain, a sequência do Jump London, provocou outra onda ainda maior de interesse, que começou com centenas e depois milhares de pessoas pesquisando na internet por mais informações sobre Parkour. Não havia muita informação disponível da época, mas os tempos mudaram. Existem centenas de bons tutoriais, artigos e treinadores se esforçando para garantir que bom conteúdo esteja por aí, para ser encontrado por aqueles dispostos a procurar.


Agora é difícil de acompanhar o ritmo de crescimento. Todo grande sucesso de ação de Hollywood tem que ter uma perseguição extravagante pelos telhados antes ou depois da perseguição de carros e termos como Parkour e Freerunning são familiares ao que está rapidamente se tornando bastante comum no mundo ocidental e muito além.


Então, com tudo isso, eu não estou mais preocupado com o crescimento da disciplina. Encontrei professores e praticantes bons o suficiente ao redor do mundo para saber que o Parkour está em boas mãos e, mesmo que a mídia dê foco apenas ao lado espetacular, as pessoas que levarão mais a sério serão espertas o suficiente para pesquisar mais a fundo e descobrirem realmente do que se trata a prática. Eu acredito que novatos encontrarão as comunidades de seus países e vão conseguir fazer uma escolha consciente entre quem é digno de confiança, os que são humildes e tranquilos em sua maioria, e quem é uma farsa. Aqueles que se arriscam além dos finos véus do YouTube, das competições de merda da Red Bull, artigos de jornais ou propagandas na TV, eles encontrarão um tesouro de informação boa e confiável, além de pessoas decentes que poderão mostrar o caminho. Praticamente toda exposição pela mídia sobre o Parkour é uma forma de ajudar as pessoas a encontrar a ponta do iceberg, mas a grande massa de conteúdo e valor está abaixo da superfície, disponível para os iniciantes se deleitarem, caso se aventurem por lá.

Tenho esperança que essa série de 5 artigos possa ser somada à fartura de conteúdo útil já disponível para as pessoas que procuram ir além da superfície, procurando mais fundo.

O que vem a seguir é mais de 50 dos mais úteis conselhos que eu espero dar para praticantes de Parkour, de todas as habilidades, para que eles possam ser e durar nessa disciplina. Isso é uma coleção de reflexões, experiências e opiniões pessoais e as que são fruto de conversas e tempo que passei com vários veteranos experientes que continuam na luta, tanto estrangeiros quanto locais, durante a última década. A série será lançada semanalmente para que seja digerida com mais facilidade. Então vamos ao que interessa.



Parte 1: Treinando o Corpo

Uma boa parte do “Ser e durar” tem muito a ver com como você treina e modela o corpo e suas capacidades físicas. Os tópicos a seguir cobrem os principais assuntos que eu gostaria de ter melhor conhecimento quando comecei a treinar.

1) Priorize movimentos de alta qualidade

Isso te ajuda a lembrar regularmente que Parkour é sobre movimento e não técnicas individuais. E enquanto uma força bem desenvolvida e um programa de condicionamento irão lhe ajudar a progredir e te proteger de lesões, o principal motivo de se tornar forte e proteger o seu corpo é o de ter uma máquina funcional e capaz para explorar e usar o ambiente da forma que desejar.

A prioridade, para um praticamente de Parkour, deveria ser sempre a de buscar perfeição na locomoção e no treinamento para atingir qualidades e níveis excepcionais. Vai levar milhares de repetições precisas e deliberadas para dominar até mesmo os movimentos mais simples, mas quanto mais tempo você passar reforçando as técnicas básicas, maior será sua confiança e sua abrangência total de movimentos.

Lembre-se que os próprios movimentos do Parkour são excelentes exercícios. Quando a biomecânica de qualquer movimento está correta, o próprio movimento irá fortalecer o corpo e provocar danos mínimos. Você usa seu corpo para se mover em um terreno e chega ao ponto de não ter mais o que melhorar nessa movimentação e é quando então você se torna capaz de sobrecarregar o corpo exatamente do modo que você deseja, para que ele se adapte e melhore para o Parkour. Treinos de movimentação, regulares e de alta qualidade, combinados com um rígido plano de treinos físicos irão te fazer trilhar um longo, longo caminho.

2) A busca pela força

Se você é iniciante ou já está na luta há anos, seu objetivo principal, até onde os treinos físicos puderem auxiliar, deve ser o de se tornar mais forte. Rippetoe disse muito bem, quando ele nos lembrou que “Pessoas fortes são mais difíceis de matar do que pessoas fracas. E mais úteis, no geral”.

Força é o solo rico do qual todas as outras capacidades físicas florescem. Se você quer pular mais longe, prevenir lesões, melhorar sua resistência e aumentar sua densidade óssea, então você tem que ficar mais forte. Sim, ganhos de força vão melhorar sua resistência. Alguém que consegue fazer 50 flexões vai melhorar e poder fazer mais, já que sua força da parte superior do corpo irá aumentar e então o ato de empurrar o próprio peso do corpo vai parecer cada vez mais uma carga mais leve de mover.

E sim, ganhos de força também vão permitir que você pule mais longe, pois melhora a capacidade que seu corpo tem de exercer força em um objeto externo, para que quando esse objeto externo for o chão, nós possamos empurrá-lo com mais força e pular mais alto e mais longe do que antes.

Hoje existem milhares de livros escritos nos mínimos detalhes sobre ganho de força, mas para resumir o que a maioria deles diz, procure usar exercícios multiarticulares, que sejam progressivos, e os faça de forma perfeita, tornando-os mais difíceis conforme você evolui.

Exercícios de elevação multiarticulares, como o agachamento e o levantamento terra, devem ser a dieta fundamental e irão colaborar para um crescimento sistêmico. O levantamento de peso olímpico também é outra ferramenta útil para aqueles que desejam maximizar o desenvolvimento de força. Aprender o básico sobre como treinar com pesos externos não deve levar muito tempo com um bom professor e isso te disponibiliza um método de treino de pouco impacto que vai permitir que você maximize seus ganhos de força conforme você for ficando mais forte.

Lembre-se que qualquer exercício é um exercício de força para alguém. Se você não consegue fazer uma flexão, então um bom exercício de força para você seria usar uma amarra nas mãos para te ajudar a executar a flexão com boa postura, enquanto que para uma pessoa que já consegue fazer várias flexões, isso seria inútil para ganhar força. Trata-se de se avaliar honestamente e diagnosticar onde você está e do que você é capaz, para então escolher o melhor exercício de força para você no momento. Levantamento de peso e coletes de peso são úteis porque eles permitem aumentos gradativos na quantidade de carga que você está lidando.

*Nota da Tradução: Mark Rippetoe é um renomado técnico americano no que se refere ao treinamento de força.


3) Treine como um atleta

Se o movimento é o nosso motivo para treinar e a força é a nossa base, então bons níveis de condicionamento providenciam a argamassa que irá manter unida todas as nossas técnicas quando as coisas se complicarem.

Ter bom nível de condicionamento significa que você poderá treinar por mais tempo e se recuperar mais rápido, o que significa também que a quantidade de horas por semana que você consegue treinar irá aumentar. Também quer dizer que, se algum dia você precisar usar o Parkour em uma situação de vida ou morte, você não vai desmaiar no chão depois de um minuto de movimentação intensa sob pressão.

Se você leva o Parkour a sério, então existe uma boa chance de que você já receba bastante impacto e stress nas articulações e não deseje receber ainda mais impacto durante seus treinos de condicionamento. Então, escolher exercícios de pouco impacto, eficientes e de curta duração é fundamental. Exercícios cardiovasculares são importantes, mas não pisoteie o concreto com corridas durante horas. Corra rápido e bastante em superfícies mais macias. Encontre uma grande ladeira íngreme e injete uma boa dose de sprints morro acima na sua dieta, uma ou duas vezes por semana. 10 minutos carregando,empurrando, arremessando ou arrastando grandes pesos, como um trenó, pedras e até carros, será mais útil para o seu físico do que passar uma hora correndo em uma esteira.

Dê o seu máximo durante 2 minutos, 4 minutos, 10 minutos, com ou sem períodos de descanso, e você irá notar que não somente sua capacidade de trabalho físico e sua resistência irão aumentar como você também irá conseguir manter o seu nível de força ao longo do exercício. Isso não quer dizer que exercícios cardiovasculares mais parados são inúteis, mas que eles devem ter seu espaço num treinamento balanceado e saudável e que não devem ser feito todos os dias.

O corpo não é muito bom em se adaptar a múltiplos estímulos de uma vez, então você não consegue aumentar significantemente seu nível de força se você também já esta correndo longas distâncias todos os dias. Passe por ciclos ou temporadas de treinamento onde você foca em desenvolver algumas áreas, enquanto mantêm outras. Mas escolha os exercícios cuidadosamente, para que eles não joguem fora meses de trabalho duro que você depositou em outras áreas.

Pesquise sobre Tabata training e sobre ‘finishers’ e use-os como a parte principal do seu treino de condicionamento físico. Uma longa série de agachamentos com peso feitos com boa postura será mais eficiente do que uma maratona.

*Nota da Tradução: ”Finisher” é um dos protocolos dentro do “Tabata Training” e que consiste em depois de uma sessão completa de determinado exercício, refazer o exercício de finalização com algum empecilho. Por exemplo, treinos de subida de muro e ao final realizar subidas com colete de peso.

4) Encontre algo difícil e repita até ficar fácil

Difícil significa possível, mas às vezes requer toda sua concentração, excelente técnica e a quantidade certa de força para alcançar. Se você executar perfeitamente todas às vezes, então não é difícil o suficiente para você.

O truque é encontrar um movimento, salto ou desafio difícil e passar um tempo com ele. Repita, reflita objetivamente em cada tentativa e se esforce para melhorar a cada vez. Se você pular muito longe no primeiro salto e continuar pulando muito longe por mais cinco tentativas, então você precisa fazer uma mudança intencional e diminuir a força gradualmente até você acertar ou deixar de alcançar.


Tente, analise, ajuste, ataque, de novo e de novo.


Quando você conseguir repeti-lo com sucesso quase todas às vezes e ele se tornar fácil, passe adiante. Encontre um novo desafio, salto ou movimento e repita o processo. Use sua experiência dos saltos anteriores para ganhar confiança.

O maior erro que as pessoas tendem a cometer é passar adiante muito cedo, antes de elas realmente dominarem algo. Geralmente há muito mais para aprender com um salto do que as pessoas pensam. E elas pulam pra lá e pra cá, melhorando muito pouco em cada um, mas nunca realmente dominando nenhum deles. Você consegue fazer na chuva? Você consegue fazer quando estiver escuro?


5) Treine ambos os lados

Você não precisa igualar ambos os lados, mas ao menos tente ser competente em seu lado fraco. Eu conheci caras que executam precisões gigantescas correndo e sem medo algum e que congelaram completamente com a idéia de fazer um simples pulo de uma perna, em um corrimão, usando sua perna mais fraca. Se o descontrole ainda é tão grande assim, então aí existe um problema. Esse indivíduo é não só extremamente limitado em técnica, como também está arriscando ter sérios problemas de falta de equilíbrio muscular, por se concentrar tanto em um só lado. Problemas de postura e estrutura, que levam às dores crônicas, irão aparecer. Isso se já não tiverem aparecido. É como uma bomba relógio esperando para ser detonada.

A boa notícia é que você pode consertar isso bem facilmente. Antes que se torne um problema e, se isso já é for problema, você pode dar alguns passos para reequilibrar o seu corpo. Tudo bem em ter um lado dominante, a maioria das pessoas tem. Só certifique-se de dedicar algum tempo treinando o seu lado fraco, todas as semanas. Eu me ocupo em treinar ambos os lados em 90% do meu tempo e eu aceito que haverão alguns saltos, ou movimentos, que vão cair na categoria dos 10% que, simplesmente não poderão ser feitos com o lado mais fraco, hoje. Sabe aqueles saltos gigantes, técnicos e assustadores que exigem tudo de você para que dê certo e você continue inteiro? Às vezes é o bastante apenas fazê-los, do que ficar se preocupado em realizar com seu lado fraco. Às vezes.

Uma maneira realmente legal de treinar seu lado fraco é, de vez em quando, ficar um dia de treino inteiro treinando o lado mais fraco. Você vai ficar surpreso com o quanto vai evoluir.

6) Procure os saltos mais estranhos que puder e deixe o salto definir a técnica.

Esqueça os nomes. Meu tipo preferido de salto é o que não pode ser categorizado. É o que você precisa pular alto o bastante para passar pelo muro, mas não tão alto que você acerte sua cabeça no galho, e você precise girar 74 graus para sua direita e segurar com a mão esquerda em um canto que você não consegue enxergar… Sem seus pés tocarem o chão. É o salto que é tão complexo que só pensar nele já o torna mais difícil. É o tipo de salto onde deixar seus instintos tomarem conta é a melhor opção e você simplesmente pula e decide o que fazer no ar.

- Uau, ele acabou de fazer um… Peraí, o que foi isso?
– Um pulo.

Os franceses fazem isso muito bem. Quando eles falam sobre um percurso, eles não citam cat leaps, precisões, vaults e wall runs e corridas no muro, e sim somente apontam dizendo “tac, tac, tac, tac… taaac!” para mostrar por onde eles vão, e isso é ótimo. Eles priorizam os obstáculos, a rota e a direção, do que as técnicas, e essa é uma maneira libertadora de se pensar sobre o Parkour.


Eu ainda estou impressionado com a quantidade de praticantes de Parkour que vão para o treino pensando no salto que viram naquele vídeo e tentando reproduzi-lo, e aí eles filmam a si mesmos fazendo exatamente da mesma maneira. Ou eles vão até um local e procuram por cat-leaps e kong precisões, ao invés de olhar para o que já está ali e deixar que os obstáculos e o terreno definam os movimentos.

Foque nos obstáculos!


7) Teste seu sistema nervoso central e ajuste seu treinamento em uma base diária

Se você está familiarizado com o termo auto-regulação em treinamentos esportivos então você sabe o quão útil é esta ferramenta. Ela é especialmente útil no contexto do Parkour uma vez que permite que você ajuste seu plano de treinamento para obter o máximo de proveito dele. Não há nada com o que se preocupar, pois esse é apenas um daqueles dias em que você deve então treinar algo menos exigente.

O sistema nervoso central (SNC) é responsável por controlar todas as funções do seu corpo, incluindo todos os movimentos que você faz, e, assim como os músculos do corpo, o SNC pode tornar-se cansado no treinamento e precisar de tempo para se recuperar.

Diferentes exercícios impactam no SNC de diferentes formas e se você está realizando treinos pesados nos últimos dias, você não deveria ficar surpreso por não conseguir manter o equilíbrio hoje. Mesmo se seus músculos estiverem bem, seu SNC poderá estar cansado, o que tornará um pouco mais difícil controlar os músculos estabilizadores que são responsáveis por seu equilíbrio.

Apenas escute o seu corpo e esteja consciente de que, mesmo quando você se sentir como novo, vale a pena fazer um simples teste de equilíbrio como parte de seu aquecimento para ver o quão descansado está o seu sistema nervoso central naquele dia.

8) Na dúvida, mantenha as coisas simples

Você não tem que complicar seus treinos para obter progressos. Na maioria dos casos, você terá um longo caminho a percorrer realizando apenas exercícios básicos, mas de alta qualidade. Na dúvida faça agachamentos, sprints, escaladas e treine suas precisões. Estes quatro exercícios têm muito a contribuir com todo o resto da prática e sempre você poderá adicionar complexidade e variações a eles sempre que desejar.

9) Treinar coisas simples como se sua vida dependesse ou pudesse depender disso

Vários praticantes de Parkour tornam-se muito competentes em movimentações ao nível do solo, mas não conseguem ter a mesma potência de treino quando estão em obstáculos mais altos. Mesmo quando não há diferença de distância entre os obstáculos.

Uma boa forma de superar este problema é treinar cada salto imaginando como você o faria se estivesse na mesma situação, só que no alto. Com a prática disso você pode até mesmo sentir o medo e a dúvida que sentiria na altura, mas em um ambiente seguro onde se errar não sentirá as consequências. Combinado com os treinos fora de sua zona de conforto, você gradualmente perderá esse medo da altura; você também estará treinando seu corpo para acertar saltos na primeira tentativa, uma habilidade que é muito valiosa, porém subestimada.

10) Se um movimento não funciona pra você, não o faça!

Só porque todos os seus amigos estão treinando seus ‘cat leap 180°’ não quer dizer que você precise. Pense por si só e se você não gosta de um movimento, ou se você simplesmente não quer usá-lo, então não o faça. Parkour é sobre vencer obstáculos de uma maneira segura e efetiva para a situação. Algumas vezes a situação demanda movimentos lentos, deliberados e cuidadosos e às vezes você pode injetar muito mais velocidade neles, mas os movimentos em si não são importantes.

Eu conheço um ou dois caras que simplesmente não usam o monkey/kong. Eles conseguem fazer. Eles só não gostam ou preferem correr e pular por cima do obstáculo. Funciona.

11) Pare de se preocupar com seus tênis

Eu vi mestres da prática se mover bem descalços ou em coturnos. Se sua técnica é boa, então o seu calçado não é importante. Claro, alguns calçados são melhores para o Parkour, mas se você seguir algumas regras gerais, você não tem como errar.

Procure por calçados que tenham uma boa sola emborrachada e ofereça uma boa aderência tanto em ambientes molhados e secos, no concreto, madeira e metal. Teste-os antes de comprá-los. Evite partes de plástico na sola, tendo em vista que plástico escorrega no metal facilmente*. Dependendo de quanto você está acostumado, minimize o tamanho do solado e gradualmente procure tênis mais finos, conforme seu pé for se fortalecendo e suas aterrissagens melhorem. Evite suportes para o calcanhar, pois eles limitam a movimentação natural do calcanhar e culminam em mais desgaste dos joelhos, que vão ter que compensar a restrição. Tente achar uma sola chata… Se houver um calcanhar muito robusto, então você pode acabar atrofiando e enfraquecendo seus tendões de Aquiles.

Exceto por algumas poucas diretrizes básicas, não importa o que você calce. A marca é irrelevante e não acredite em toda a baboseira sobre tecnologia superior. Há estudos recentes que mostram a correlação entre o preço de tênis de corrida e as chances de se machucar enquanto os usa. Quanto mais os calçados se desviam da forma natural do pé humano, mais problemas ocorrem. Leia “Born To Run” (Nascido Para Correr) de Christopher McDougall para muito mais informações sobre esse tópico.

Entenda que você vai precisar repor seus calçados com uma frequência semi-regular, então se lembre de que essa é uma das únicas despesas no Parkour. Conforme você melhorar, você vai perceber que seus tênis irão durar mais de acordo com o desenvolvimento da sua técnica, que vai diminuir o impacto e desgaste neles.

*Certa vez comprei um par de tênis para treino em corrimões que tinham uma parte grande de plástico na sola, bem no meio. Por conta disso eu não podia aterrissar com o meio do pé porque se não as consequências seriam drásticas. Desnecessário dizer que minha técnica melhorou rapidamente.


12) Escale

Se Parkour precisasse ser desmembrado em três tipos de movimento, ficaríamos com correr, saltar e escalar. Desses três, a vasta maioria dos praticantes de Parkour adora saltar, odeia correr e negligencia a escalada.

A maioria das pessoas no Parkour são maus escaladores porque eles dependem mais da força do que da técnica. Eu não sou o melhor escalador, mas eu tenho focado mais nesse lado do Parkour nos últimos anos e isso tem feito uma grande diferença na minha habilidade de movimentação. Parkour é sobre ultrapassar obstáculos, sim, mas alguns obstáculos só podem ser passados devagar e deliberadamente. E quando a parede é alta demais para um wall run, então talvez sua única opção seja escalar. Gaste algum tempo trabalhando na sua escalada, priorize posicionamento dos pés para diminuir a quantidade de trabalho que seus braços terão que fazer. Como uma regra geral de segurança, tente ter três pontos de contato com o obstáculo e só mova um membro por vez enquanto você escala.

13) Domine o climb e o planche


Sem exceções.

Texto repostado e relembrado pelo site:  DeCimadoMuro de Alberto Brandão.  

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