Medo no Parkour e porque ele Existe

"E lá esta eu, em cima de uma praça em Botucatu (Praça do Bosque), vendo um grande vão que poderia ser saltado.  A altura era de uns 3 metros e abaixo havia um corredor para as pessoas passarem e logo após isso havia um gramado que era onde eu queria cair.  o Vão que eu queria saltar se tratava de um corredor com cerca de 3 metros e meio de comprimento, no final deste corredor havia uma escada onde todos transeuntes chegariam consequentemente na parte de cima da praça onde eu estava.

Eu estava em cima da praça na beirada olhando o grande vão que eu iria saltar, pensava em como aquilo poderia mudar minha vida caso eu errasse.  O vão e a altura poderiam me machucar feio, mas meu maior medo era errar o passo na hora do salto, pensei também que merda seria se eu caísse na quina de concreto que beirava a grama do outro lado.  O salto devia ser preciso eu deveria passar a quina de concreto e deveria "pousar" na grama com um rolamento bem executado.  Várias imagens nesta hora começaram a passar na minha mente, eu caindo, meu pé pisando no lugar errado me fazendo despencar três metros nas pedras da calçada abaixo, me vi também com as pernas quebradas gritando deitando na grama lá embaixo enquanto ninguém vinha me ajudar, já que era umas 22:00 horas e a praça estava completamente vazia.

Tudo isso passou pela minha mente… balancei a cabeça e senti medo, muito medo, pavor, tristeza, bloqueio e raiva por sentir tudo aquilo…  então decidi focar minha mente no salto.  Dei alguns passos para trás e ensaiei como seria a passada, repeti  isso várias vezes, e então decidi que o iria fazer.  Me preparei, respirei me concentrei e então por alguns instantes o medo sumiu, confiei na minha técnica, confiei no rolamento que treinei exaustivamente, confiei no salto… e corri !  Corri muito e meu pé bateu na beirada da mureta e me projetei para cima em um salto de provavelmente 3 metros e meio de altura, o vento passou pelo meu rosto e o chão passou por baixo dos meus pés, o outro lado foi se aproximando cada vez mais em uma queda frenética, a beirada de concreto foi deixada para trás e neste momento meus pés tocaram a grama, segurei o impacto e fiz um rolamento bem forçado por causa da velocidade do salto, consegui amortecer a queda e então terminei o rolamento agachado, após alguns segundos me sentei na grama e comecei a sorrir.  Senti a adrenalina do salto, senti meu corpo vivo e me senti feliz… não por ter feito um grande salto que ninguém viu no meio da noite… fiquei feliz por ter conseguido e por ter vencido o medo que senti antes".  -  Relato real:  Tracer Leonard Akira.

A historia que você leu acima é um dos momentos mais marcantes que tive na minha vida relacionado ao Parkour.  Este salto aconteceu em 2005 ou 2006 se não me engano mas continua vivo na minha mente, até hoje é esta lembrança que me faz respeitar o medo e entender que ele está ali para ajudar, basta que você entenda isso.

Entendendo melhor o medo


O Parkour na maior parte dos treino gera um medo gigante no Tracer, isso é comum e natural, porque na maioria das vezes o Tracer ou Traceuse está aprendendo algo novo ou está entrando em conflito direto com medos e fobias geradas anteriormente por atividades anteriores ou por motivos psicológicos herdados na infância. Já tive alunos com medo de altura e já tive alunos com fobia de altura e aprendi com o tempo a trabalhar em cima de cada uma destas situações e isso mudou completamente o treino desta pessoa, fazendo com que cada dia ela derruba-se uma barreira interior (psicológica) de medo ou fobia. Abaixo vou explicar melhor a diferença entre medo e fobia.

Pouca gente sabe, mas é bom sentir medo. Saudável, até. Se você está lendo a Parkour Brazil confortavelmente refestelado no sofá da sala, é porque seus antepassados tiveram medo. Se não fosse assim, a espécie humana não teria sobrevivido à fúria de predadores, ou escapado do ataque de bárbaros. É o medo o que nos deixa alerta e nos prepara para lutar ou fugir diante de uma determinada sensação de perigo.

"Esta é uma reação normal e útil para a nossa preservação. Ao sentirmos medo, tomamos providências para



evitar situações de risco", analisa o psiquiatra Antônio Egídio Nardi, do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sem essa sensação, jamais olharíamos para os lados antes de atravessar a rua e, muito provavelmente, já teríamos sido atropelados há muito tempo ou caído de vários muros ou corrimões.

Mas, e se o medo de ser atropelado fosse tanto, que nos impedisse de sair de casa? Medo é saudável; fobia, não.

"Fobia é o nome dado ao medo inexplicável que sentimos de determinados animais, objetos ou situações. É tão irracional que chega a paralisar a pessoa. Além de causar sofrimento psicológico, traz, ainda, enorme prejuízo social", observa o psiquiatra Leonardo Gama Filho, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

E põe prejuízo social nisso! No caso da empresária Raquel Soares*, 50 anos, o medo de avião lhe custou a carreira profissional. Toda vez que tinha de viajar, passava pelo constrangimento de tomar calmantes e perturbar as comissárias de bordo. "Certa vez, desisti da viagem após passar pela fila do check-in. Deprimida, não via outra saída senão pedir dispensa da empresa em que trabalhava", lamenta Raquel.

Saudável ou patológico?


Segundo especialistas, não é tarefa das mais difíceis identificar uma fobia. Quer um exemplo? É natural que qualquer um de nós tenha medo de ser picado por animais venenosos, como aranhas, cobras e escorpiões. Mas, se alguém chega a passar mal só de ouvir falar o nome de algum deles, cuidado: é sinal de que o medo se transformou em fobia.

O sentimento de medo certamente foi útil para a sobrevivência da espécie. Imagine um homo sapiens que não sentisse medo algum de entrar no meio de um bando de leões e matar um dos filhotes por exemplo, o resultado é previsto.

Entretanto, um mecanismo de evitar ameaças que fosse completamente eficiente também não seria uma adaptação positiva, por exemplo: para evitar o contato com cobras ou aranhas, passaríamos o tempo todo refugiados, cuidando neuroticamente todos os cantos, fobia!

Mas então como surgiu o medo? Para resolver este problema, o nosso cérebro encontrou uma adaptação com efeitos positivos, tornando-se um mecanismo eficiente o bastante para nos manter longe de riscos (predadores naturais e outros perigos), mas que não nos deixasse no outro extremo, sentido medo de todo perigo em potencial. Então logicamente haver alguma recompensa caso enfrentássemos algum perigo e saíssemos vivos. E é exatamente isso que acontece. Logo após sairmos do estado de alerta do medo, o cérebro libera uma substancia chamada dopamina, que nos acalma e nos dá uma sensação de prazer, foi esta sensação que tive ao finalizar o salto do começo deste post.

Ok, temos medo como um instinto, para evitarmos perigos reais, mas então por que algumas pessoas têm medo de cachorro e outras não? Isso pode ser explicado através de aprendizagem e condicionamento. Calma, eu explico: algumas pessoas podem ter medo de cachorro devido a uma aprendizagem ao longo da vida que as induziu a pensar que um cachorro pode representar perigo (uma mãe superprotetora por exemplo), ou talvez esta pessoa já tenha sido realmente atacada por um cachorro, o que condiciona a pensar que cachorros representam um perigo (ou revivem um trauma).

É claro que isso varia de caso para caso, mas em geral, é mais provável que você tenha mais medo de aranhas do que de cachorros. Isso porque alguns medos são mais comuns aos homo sapiens, e evitar contato com os causadores destes medos nos trouxe benefícios (um indivíduo que evitava andar em ribanceiras provavelmente viveu mais tempo do que um indivíduo que não sentia medo algum).

Lembra da dopamina, citada anteriormente? Pois saiba que ela é a culpada. A sensação de bem estar é algo quase viciante, porém se estamos sempre calmos, não tem porque o cérebro libera-la. A dopamina age no corpo dando-nos a sensação de prazer e motivação, e é isso que buscamos nos treinos de parkour, vencendo obstáculos ou quando assistimos filmes de terror, essa sensação de que ‘sobrevivemos ao perigo’ é o que nos motiva em quase tudo.

Quanto a essa ultima explicação, existem teorias que formulam que não seria exatamente isso, mas justamente o fato de identificarmos como um perigo irreal, mas para mim a primeira faz mais sentido, e sinto que no Parkour temos sempre a intenção de vencer obstáculos porque nos sentimos melhores, no sentimos evoluindo já que quebramos barreiras que a pouco tempo eram inquebráveis.

Fontes: 
http://sociedadeprimata.wordpress.com
http://revistavivasaude.uol.com.br/

O que fazer para superar o Medo? 


Por favor não supere o medo, ele existe sim no Parkour, mas está ali para te ajudar para te garantir que você não morra facilmente fazendo alguma besteira.  O medo é um sinal de que você está se superando e está se colocando em risco, quanto mais técnica você tiver e mais confiança tiver na execução de um movimento menos medo você ira sentir. Agora se o seu medo se transformar em Fobia é um sinal claro de seu cérebro de que você não esta preparado para aquele salto ou técnica que você quer realizar, pense nisso!

Então para finalizar o post saiba que o Parkour tem como brinde o medo constante na execução de qualquer tipo de movimento e infelizmente ou felizmente você terá que aprender a conviver com isso, já que é esta sensação de superar obstáculos físicos e mentais que tornam o Parkour tão incrível na vida de tanta gente.

Bons treinos.

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