quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

David Bele: entrevista ao Suicide Girls - repost

david-belle-01

O pai da pratica que a gente ama (David Belle) está de volta com mais uma entrevista fodastica ! Eu não sei vocês mais eu curto muito ler as entrevistas do David Belle porque o cara é do povão fala o que pensa e muitas vezes nos dá algumas dicas pelas suas entrevistas. Vale a pena dar uma conferida.



Este texto foi retirado site PkMax.

"Entrevistas com David Belle são sempre fonte de curiosidade e discussões entre os praticantes de Parkour já que, desde que a discilplina tomou o mundo de assalto, seu criador faz aparições cada vez mais raras e limita o número de vezes que fala ao público. Dessa vez a comunidade Suicide Girls - que celebra a cultura alternativa - conseguiu colocá-lo para falar.

Curiosamente não há relação direta do site com o mundo do Parkour e, talvez por isso, Belle tenha se mostrado tão livre e desarmado. O mote da entrevista é o lançamento de 13º Distrito - Ultimatum em alguns cinemas dos Estados Unidos, mas fala-se sobre o filme e muito mais. A entrevista foi dada a Nicole Powers, e Belle recebeu a ligação em sua casa em Corbeil-Essonnes, em um subúrbio ao sul de Paris.
Nós reproduzimos aqui a entrevista em português para que mais traceurs tenham acesso a ela, mas se preferir ler direto na fonte, sinta-se à vontade.

Nicole Powers: Esse é o segundo filme da franquia 13º Distrito. Como ele aconteceu?
David Belle: Luc Besson me ligou para saber se eu estava interessado em fazer a segunda versão. Até onde eu sabia não havia problema algum.
NP: O roteiro foi escrito por Luc Besson, que também escreveu ‘O Quinto Elemento' e ‘Carga Explosiva'. O que você achou do roteiro em particular?
DB: Eu gostei da sinopse de maneira geral. Achei que era um bom filme de ação. O personagem é um pouco parecido comigo, não em tudo, mas eu me senti bem próximo daquele personagem, e estava disposto a embarcar na aventura.
NP: Obviamente é um filme baseado em ação. Você trabalhou com Besson na construção das cenas de ação durante o estágio de escrita do roteiro, ou foi mais uma colaboração com o diretor do filme, no momento em que estavam se preparando para filmar?
DB: Pra falar a verdade, quando Luc escreve a ação ele não detalha muito. Ele nos permite espaço para manobras e nos permite propor durante a ação. Daí ele escolhe qual a melhor solução e nos seguimos a partir daí.
david-belle-03
NP: Qual foi a cena mais difícil de filmar?
DB: Toda a filmagem foi difícil. Tenha em mente que estávamos na nossa melhor forma, então no início você faz alguns ‘stunts' e é bastante fácil. Você faz o reconhecimento das cenas, e aí você fala: "Ah, isso vai ser fácil. Eu vou fazer isso durante a filmagem". Daí acontece de uma coisa que parecia fácil se transformar em algo bastante difícil. Você tem que ser muito cuidadoso porque ao final da filmagem você está exausto. Mas nós estivemos sobre a mesma quantidade de pressão durante toda a filmagem, no entanto, eu devo dizer que já que ensaiamos antes das filmagens, não foram tantos problemas assim.
NP: Eu imagino que a questão do cansaço físico é importante se você tem que fazer múltiplas tarefas?
DB: Sim, é verdade. Eu preciso dizer que nós tentamos poupar nossas forças e economizar energia, o máximo possível. Quando tínhamos uma cena ‘stunt', nós ensaiávamos duas ou três vezes antes - tudo, menos o stunt. Daí fazíamos a cenas em apenas uma filmagem. Nós ensaiávamos duas ou três vezes, dáí estávamos prontos psicologicamente, e apenas fazíamos. Essa era nossa política para os stunts realmente periogosos.
NP: Houve algum machucado durante o set?
DB: Eu machuquei meu antebraço. Nós estávamos fazendo uma cena de perseguição no Gypsy Quarter e havia um carro de polícia atrás de mim. Então eu estava correndo e fiz uma virada repentina e meu braço ficou preso em uma maçaneta. Ela entrou no meu braço. Eu precisei de cinco pontos. O médico disse que eu deveria descansar por uma semana, mas no dia seguinte parecia que os pontos estavam bem firmes e eu voltei ao telhado. A questão é que a porta deveria estar fechada, mas alguém deixou ela semi aberta. Então quando eu estava correndo, do mesmo jeito como quando você deixa sua bolsa ser pega por algo pontudo, aconteceu com meu braço.
NP: Onde as cenas foram filmadas?
DB: Nos telhados da Sérvia.
NP: Vocês usaram cabos ou outros equipamentos de segurança durante as filmagens?
DB: Houve algumas cenas, as que eram realmente perigosas. Em alguns momentos tivemos cabo, em outros tivemos redes de segurança, porque em alguns momentos tivemos que ensaiar ou filmar a cena umas duas vezes até que tivéssemos tudo correto. Com o cansaço você não sabe como vai reagir, e você está no ar a 20 metros de altura, então em alguns momentos nós filmamos com rede de proteção. Mas no geral nós estávamos livres, nossos movimentos estavam livres.
NP: A forma como as cenas de ação foram montadas, com música eletrônica, dá a sensação de um vídeoclipe de música. Você ficou satisfeito com a forma que tudo acabou tendo?
DB: Em geral eu gosto do filme. Com relação a música, se eu estou assistindo e não gosto da música, eu desligo o som e coloco uma faixa que eu curto. Mas eu tenho que dizer que no geral gosto das músicas. Funciona bem com o filme, acredito eu.
david-belle-02
NP: Voltando ao modo como você começou o Parkour. Sei que você teve treinamento militar e de artes marciais, mas como um tipo de movimento usado para percorrer a cidade se transformou em algo com um estilo próprio, algo que te deu uma carreira?
DB: Claro, eu era muito ativo em esportes quando eu era pequeno, mas foi por causa do meu pai que descobri o Parkour. Foi ele quem me transmitiu sua arte através da sua experiência no exército e depois como bombeiro. Ele trabalhou na sua própria disciplina de condicionamento físico, e eu percebi que o movimento tem um lado útil nisso. Que você pode se mover para ajudar pessoas e não apenas ser um artista ou apresentar ‘tricks' acrobáticos. Existe um lado mais profundo no Parkour.
NP: Com o Parkour também parece existir uma conexão com sua criança interior. Se você vê a forma como uma criança se desloca em uma calçada, a última coisa que eles querem fazer é andar em linha reta. Eles querem pular pelas rachaduras da calçada ou querem brincar pulando rochas, e se há algo para pular sobre, instintivamente ele vão pular. Parkour parece ser algo como entrar em contato com sua criança interior e pegar a via interessante, e não a optar pela mais fácil.
DB: Eu acho que você somou tudo em uma casca de nozes. É exatamente isso. É a primeira vez que alguém me dá uma correta definição do Parkour. Bravo Nicole!
NP: Merci beaucoup! Como o Parkour evoluiu desde que você iniciou? Como a arte progrediu?
DB: É como na vida. Inicialmente os obstáculos não eram muito altos, e a medida que você ganha auto-confiança os obstáculos ficam maiores, e quando você cai dói mais. Então você aprende boas técnicas para não corer riscos estúpidos. Eu nunca quis dar a impressão de que praticar esses movimentos era loucura. Eu queria mostrar que existia um método que te permitia passar obstáculos sem corer riscos maiores.
NP: O que você treina no dia a dia?
DB: Eu trabalhei tanto no básico, que é similar às artes marciais. Quando você prática um salto mil vezes, durante oito horas direto, seu corpo desenvolve uma memória. Você não tem que praticar aquilo todo dia do alto de um edifício de 20 metros. A questão para mim agora é manter meu condicionamento físico. Agora eu treino menos. Eu faço mais por intuição. Eu não tenho mais a mesma perspectiva. Meu objetivo é me manter vis-à-vis com minnha idade. Eu quero ter certeza de que qual seja minha idade, eu me sinta bem no interior do meu corpo, e que eu não tenha a impressão de estar me destruindo.
NP: Certo, você não quer exagerar no treino (overtrain)?
DB: Correto. Eu não acredito que valha a pena. Não vale a pena treinar exageradamente (overtrain). Você sabe, todos nós temos uma expectativa de vida. Não é que vamos viver 150 ou 200 anos e eu pudesse dizer: eu tenho 50 anos para progredir. A vida passa e ela é cheia de coisas pra se fazer, e eu não quero ficar estagnado e ser como um professor de karatê de 70 anos que continua repetindo os mesmos movimentos. Hoje eu pratico Parkour, amanhã talvez eu toque piano, talvez no próximo ano eu vá pescar. Eu não quero me sentir preso. Eu quero continuar movimentando, e é claro eu quero continuar praticando meu esporte. Mas eu tenho tentando ouvir meu corpo e sempre me manter interessado em outras coisas. Eu não quero me privar de outras coisas só pelo amor ao Parkour.
NP: Eu acredito que parte disso seja mantendo a alegria de nutrir sua criança interior. É algo que esquecemos quando envelhecemos, mas é importante e intrínseco a disciplina também.
DB: Bem, você sabe que eu acredito que todos tem um gatilho em suas vidas e pra mim foi o Parkour. É como alguém que toca música quando é criança, e aí, através da música, descobre a arte no geral e a beleza. Ele pode até não mais tocar música, prática outras coisas, mas o gatilho, a influência detonadora foi a música. Isso foi o que o Parkour foi pra mim. Todos nós temos algo que descobrimos quando novos, e que nos levará a um mundo de novas descobertas. Isso é o que o Parkour fez comigo.
NP: Então você se vê assumindo papéis onde a fisicalidade é menos importante? Quem sabe até papéis que não necessitem Parkour?
DB: Bem, se os filmes me derem essa oportunidade, eu assumiria com o maior dos prazeres.
NP: Finalmente, eu sei que originalmente você aplicou o Parkour de forma prática, até com finalidades de salvamento de vidas. Você está fazendo algo para ensinar a nova geração a técnica e sua aplicação prática também?
DB: Você está completamente correta, nós ainda estamos trabalhando com o Corpo de Bombeiros de Paris ensinando técnicas de Parkour, e nós desenvolvemos um programa com o conselho da cidade de Lisses para criar um espaço onde soldados, policiais, jovens - qualquer um engajado em profissões de risco - possam frequentar e receber treinamento. Não é suficiente apenas treinar em uma academia. Lá nós podemos nos movimentar ao redor. Nós não conseguimos explicar o esporte em algumas situações, então esses lugares especiais que estamos desenvolvendo são perfeitos para isso.
NP: Obrigada por ter tido tempo de conversar conosco, e boa sorte com o filme na América.
DB: Obrigado.

Texto Traduzido por: Rafaela Cappai.

1 comentários:

leandro disse...

adorei essa entrevista queria ter a oportunidade de melhora minhas tecnicas com profisionais mais aqui na minha cidade nao da muitas oportunidades

21 de março de 2010 16:12

Postar um comentário